Pobreza atinge um quarto da população brasileira, revela pesquisa do IBGE

Em torno de 50 milhões de brasileiros vivem com renda familiar na linha de pobreza, o que corresponde a R$ 387,07 por mês. É o que demonstra a pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse número, revelado pela Síntese de Indicadores Sociais 2017 – SIS 2017, equivale a mais de 25% da população brasileira vivendo com até US$ 5,5 por dia, critério estipulado pelo Banco Mundial para determinar a condição de pobreza de uma pessoa.

O maior índice de pobreza está concentrado no Nordeste do país, onde quase 44% da população se encontram nessa situação. A região Sul obteve a menor taxa de pobreza do país, com 12,3%.

Os dados estatísticos ainda revelam uma situação alarmante para a população infantil do Brasil. Cerca de 42% de crianças, entre 0 e 14 anos de idade, estão vivendo na linha de pobreza. São menores que vivem muitas vezes em condições insalubres e com uma renda domiciliar per capita extremamente baixa.

Os indicadores sociais divulgados pelo IBGE revelam um país extremamente desigual por regiões, gênero, raça e cor. Entre os brasileiros com os menores índices de rendimento familiar, a população de pardos ou pretos atinge 78,5%, ante 20,8% de brancos. A parcela da população mais rica corresponde a apenas 24,8% de pretos e pardos.

Quando se analisa os níveis de pobreza pelas capitais e estados do país, as regiões Norte e Nordeste disparam nos índices de pobreza analisados pela pesquisa. Maranhão possui 52,4% da população na faixa de pobreza, seguido por Amazonas (49,2%) e o estado de Alagoas (47,4%).

A pobreza também está mais presente no interior do que nas capitais, sendo que 80% da população pobre se concentram em áreas rurais. Os dados indicam que 20% da população com maior rendimento (R$ 4,5 mil) possuem 18 vezes o rendimento médio dos brasileiros que ganham menos, renda em torno de R$ 243.

A SIS 2017 ainda revelou que 64,9% da população tem dificuldade de acesso em certos direitos sociais que foram analisados, como saneamento básico, educação e proteção social.

Domicílios que são compostos por mulheres pardas ou pretas sem cônjuge e com filhos até 14 anos estão no grupo mais vulnerável apresentado na pesquisa: 81,3%.