Cura do HIV é testada por biohackers

Uma doença como o HIV exige um tratamento com um coquetel que alguns pacientes se recusam a tomar. Um desses pacientes é o jovem Tristan Roberts, que foi a primeira pessoa a transmitir a aplicação em si mesmo de uma terapia genética experimental para se curar.

O lugar escolhido para a aplicação da injeção não tinha nenhuma semelhança com um consultório médico, Roberts estava sentado em um sofá na casa de um amigo, perto de uma mesa cheia de seringas. A transmissão foi feita pelo Facebook, onde centenas de pessoas assistiram ao fato. Quem estava do lado de Roberts era Aaron Traywick, chefe da Ascendance Biomedical, empresa responsável pela criação do tratamento.

Apesar da expectativa, a experiência não viria a demonstrar resultados bons, semanas depois da aplicação foi constatado que em vez de diminuir, a carga viral havia aumentado.

Para se defender das falhas, os idealizadores do tratamento já estavam preparados para as possíveis críticas. Traywick, conhecido como organizador comunitário, havia dito que não estava aconselhando ninguém a repetir o que estava sendo feito na transmissão.

Segundo as regulamentações da FDA (Food and Drug Administration, agência americana que faz controle de alimentos e remédios), uma pessoa tem direito de se automedicar conforme julga apropriado, uma vez que tem direito sobre o seu corpo.

Roberts trabalha como programador freelancer, tem 28 anos, e decidiu deixar o trabalho de US$ 75 mil por ano por não estar feliz com a sua vida apesar do seu confortável apartamento e de seu salário. Ele e Traywick fazem parte de uma comunidade que está crescendo chamada de biohackers, compostos de pessoas que usam o método “faça você mesmo” na biologia, ciência médica e genética, que apareceu e se propagou longe das quatro paredes das salas das universidades e das clínicas farmacêuticas.

Pelos cientistas e especialistas em bioética o que Roberts fez é considerado arriscado e alarmante. Para Roberts o que ele fez está totalmente dentro da consciência dos riscos que ele corre, mas que poderão trazer um benefício maior para os pacientes e pessoas que fazem parte dos experimentos.